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28/10/2026

Trilha com 95 km de extensão cruza Florianópolis

A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Floram, instituiu nesta terça-feira (20), pelo Decreto nº 29.806, o Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), uma trilha com 95 km de extensão. O percurso de 95,2 quilômetros liga a Caieira da Barra do Sul à Praia de Canasvieiras e pode ser feito no sentido contrário. A ideia é reunir caminhos que já existem para dar a eles proteção formal e identidade própria.

Trilha com 95 km de extensão, o CAISCA liga a Caieira da Barra do Sul a Canasvieiras e cruza dez unidades de conservação.
Trilha com 95 km de extensão, o CAISCA liga a Caieira da Barra do Sul a Canasvieiras e cruza dez unidades de conservação.

Trilha com 95 km de extensão e o que ela une na Ilha

Você já imaginou atravessar Florianópolis de Norte a Sul a pé? O CAISCA, uma trilha com 95 km de extensão, é a primeira de longo curso do município e junta num só traçado caminhos que já existiam, como o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.

O caminhante sai de faixas de areia ao nível do mar e alcança morros de até 232 metros de altitude. Quem planeja a travessia completa precisa contar com pernoite, já que se trata de uma trilha de longo curso.

Dez unidades de conservação no mesmo caminho

O percurso cruza dez unidades de conservação, entre elas o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri e o Parque Estadual do Rio Vermelho. Há ainda o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste, o das Dunas da Lagoa da Conceição, o Monumento Natural Municipal da Galheta e o Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe. Completam a lista a Área de Proteção Ambiental do Entorno Costeiro, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro das Aranhas e o Parque Natural Municipal Lagoa do Jacaré das Dunas do Santinho.

Cerca de 41% da área terrestre do município está protegida por unidades de conservação. Ao conectar essas áreas, o caminho reforça a proteção de florestas, restingas e manguezais da mata atlântica.

Fauna, história e arqueologia ao longo do trajeto

A Ilha registra cerca de 400 espécies de aves, e a ligação entre as áreas protegidas amplia as oportunidades de observação de fauna. Entre julho e novembro, a baleia-franca-austral pode ser avistada em pontos do litoral ao longo do trajeto.

O percurso passa por áreas de valor histórico e arqueológico, numa Ilha com presença humana documentada há pelo menos 5 mil anos. Sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas guardam parte dessa história.

Turismo de base comunitária e participação social

Como a travessia completa pede pernoite, localidades como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses podem oferecer hospedagem, alimentação e condução aos caminhantes. A proposta dialoga com a Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, instituída pela Lei nº 11.457/2025.

Segundo o secretário Luís Felipe Kronbauer, o CAISCA une caminhos que moradores e pescadores percorrem há gerações, agora com proteção formal e manejo planejado. O presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, lembra que o traçado foi georreferenciado em saídas de campo e aprovado pelos conselhos gestores das unidades de conservação envolvidas.

Como o projeto nasceu e o que fica proibido

A proposta foi coordenada pelo Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) da Floram, dentro do Programa Roteiros do Ambiente, que desde 2015 mapeia, maneja e sinaliza as trilhas do município. As primeiras discussões, entre 2016 e 2018, reuniram instituições como o IFSC e o IPUF, e o planejamento foi retomado em 2024. Em 2025, as vistorias de campo tiveram o acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), que coordena no estado a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

Quem pretende percorrer a trilha com 95 km de extensão precisa saber o que fica proibido: danificar placas de sinalização, coletar espécies nativas, alimentar animais silvestres, descartar resíduos de forma inadequada, instalar estruturas, alterar o traçado sem autorização e acessar áreas restritas. Os planos de manejo de cada unidade de conservação seguem valendo ao longo do caminho.

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