Santa Catarina entra em outubro com o Outubro Rosa em foco, e a mastologista Rebeca Neves Heinsen explica como hábitos saudáveis, mamografia e atenção aos sinais de alerta ajudam a antecipar o diagnóstico do câncer de mama. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 4.460 novos casos no estado em 2026, entre mais de 78 mil no Brasil.

Outubro Rosa e o que os números ajudam a enxergar
No estado, a campanha ganhou força de lei: a Lei 16.028/2013 instituiu o Outubro Rosa e chama a atenção para a prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero. A proposta aproxima informação, acompanhamento médico e exames recomendados da rotina das mulheres.
Segundo o Inca, quando a doença é identificada em estágio inicial, as chances de cura podem chegar a 90%. Esse dado ajuda a entender por que o diagnóstico precoce ocupa o centro da conversa.

Mortalidade: o que mudou em dez anos
Em 2025, o câncer de mama causou 21.668 mortes de mulheres no Brasil. O número representa aumento de 39% na comparação com 2015.
A taxa de mortalidade passou de 14,8 para 19,5 óbitos por 100 mil mulheres no período. Conforme o Inca, ela se mantém praticamente estável desde 2022, o que sugere um cenário que ainda pede atenção.
🎗️ Perguntas e Respostas
Outubro Rosa: informação que protege
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| O que é o Outubro Rosa? | É uma campanha de conscientização sobre a prevenção e a detecção precoce do câncer de mama. Em Santa Catarina, foi instituída pela Lei 16.028/2013 e também chama a atenção para o câncer do colo do útero. |
| Quais hábitos podem ajudar a reduzir o risco de câncer de mama? | A mastologista recomenda praticar atividade física regularmente, manter o peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. |
| Qual é a importância da mamografia? | É o principal exame de rastreamento do câncer de mama e permite identificar alterações suspeitas em fases iniciais, mesmo quando não há sintomas. |
| Quem não tem histórico familiar também precisa de acompanhamento? | Sim. Conforme a especialista, a ausência de casos na família não elimina o risco da doença. |
| Quais alterações precisam de avaliação médica? | Nódulos nas mamas, inversão recente do mamilo, alterações na pele e caroços nas axilas. |
| O autoexame substitui a mamografia? | Não. A especialista explica que o autoexame mensal não é recomendado como método de rastreamento. Conhecer o próprio corpo, entretanto, ajuda a perceber possíveis alterações. |
Quem são as mulheres atingidas em Santa Catarina
Um levantamento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) traçou o perfil das pacientes no estado. A idade média é de 54 anos, a maioria é branca e cerca de 30% apresentam histórico familiar de câncer de mama.
Quem não tem casos na família pode se perguntar se precisa se preocupar. Para a doutora Rebeca, a resposta é sim: a ausência de histórico não elimina o risco, e o acompanhamento médico deve continuar.
Hábitos e mamografia: duas frentes de cuidado
A especialista lembra que algumas escolhas do dia a dia podem contribuir para reduzir o risco. Entre elas estão praticar atividade física com regularidade, manter o peso adequado na fase pós-menopausa, evitar bebidas alcoólicas e não fumar.
O risco aumenta com a idade, e por isso a avaliação médica faz sentido mesmo sem sintomas. A mamografia é o principal exame de rastreamento e pode revelar alterações suspeitas em fases iniciais.
A idade de início e a frequência do exame dependem das recomendações vigentes e do perfil de risco de cada mulher. O melhor caminho é conversar com o médico sobre o que se encaixa no seu caso.
Quando o medo atrapalha o cuidado
O receio de descobrir uma doença pode levar muitas mulheres a adiar exames. Para a mastologista, esse sentimento não deve ser o motivo para deixar a saúde de lado.
A mamografia pode causar certo desconforto, mas é uma ferramenta valiosa para a detecção precoce. Rebeca recomenda reservar um tempo na rotina para o autocuidado e buscar informações em fontes confiáveis. O Outubro Rosa lembra que esses cuidados valem para o ano inteiro, inclusive procurar atendimento diante de qualquer alteração suspeita.
Prevenção ao câncer de mama: o que você precisa saber
- Autoexame e autoconhecimento: conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças, como nódulos, alterações na pele, secreções ou mudanças no formato da mama. Qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional de saúde.
- Mamografia periódica: é o principal exame de rastreamento. No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres de 50 a 74 anos façam o exame a cada dois anos. Mulheres com histórico familiar devem conversar com o médico sobre começar antes.
- Alimentação saudável: priorize frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Reduza o consumo de ultraprocessados, carnes processadas e alimentos ricos em gordura e açúcar.
- Atividade física regular: praticar exercícios por pelo menos 150 minutos semanais ajuda a controlar o peso e diminui o risco da doença.
- Controle do peso: o sobrepeso e a obesidade, principalmente após a menopausa, estão associados a maior risco de câncer de mama.
- Evitar o álcool e o cigarro: o consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco, e o tabagismo também é um fator prejudicial.
- Amamentação: amamentar protege contra o câncer de mama e traz benefícios para mãe e bebê.
- Atenção ao histórico familiar: casos de câncer de mama ou ovário na família merecem acompanhamento médico específico.
- Outubro Rosa: a campanha reforça a importância da detecção precoce, que aumenta muito as chances de cura.
- Procure o SUS: as unidades básicas de saúde oferecem orientação e encaminhamento para exames.