A discussão sobre a escala 6×1 trata da possível redução da jornada semanal de 44 para 36 horas no Brasil, proposta analisada por governo, Congresso, sindicatos e economistas em todo o país neste momento, por impacto econômico, social e produtivo, estimado em bilhões de reais anuais e mudanças na organização do trabalho.

Escala 6×1 e a mudança da jornada
A escala 6×1 aparece no centro do debate trabalhista ao propor menos dias consecutivos de trabalho sem aumento proporcional de produtividade. Pesquisadores do FGV-Ibre e do Ipea calculam retração potencial de 6,2% no PIB.
O cálculo considera o trabalho como fator direto de produção. Sem ganho de eficiência, produzir menos horas significa entregar menos valor agregado.
Hoje a produtividade brasileira cresce cerca de 0,5% ao ano desde 1981. Serviços concentram quase 70% das horas trabalhadas e permanecem estagnados por décadas.
A última grande mudança ocorreu em 1988, quando o limite caiu para 44 horas semanais. A jornada média efetiva reduziu pouco depois da alteração constitucional.
Custos para empresas e renda do trabalhador
Simulações indicam aumento de 22% no custo da hora trabalhada para quem cumpre 44 horas semanais. Considerando todos os vínculos formais, o avanço médio seria de 17,6%.
O efeito não é uniforme entre setores. Vigilância e serviços prediais destinam mais de 75% das despesas ao pagamento de pessoal e sentiriam pressão maior.
Comércio e indústria de alimentos registrariam impacto perto de 1%. Nessas áreas o peso salarial na estrutura de custos é menor.
Especialistas alertam para renda variável baseada em comissão. Redução de horas pode diminuir ganhos mensais mesmo mantendo salário base.
Pequenas empresas teriam adaptação mais complexa. Negócios com até quatro empregados concentram jornadas mais longas e menos margem para reorganização.
Política, produtividade e desigualdade
A proposta tramita na Câmara após envio do presidente Hugo Motta. O Luiz Inácio Lula da Silva avalia tratar o tema por projeto de lei.
Centrais sindicais defendem ganho social com mais descanso. Argumentam que consumo e inovação compensariam a perda inicial de produção.
Economistas classificam o efeito como regressivo. Trabalhadores formais seriam beneficiados enquanto informais manteriam jornadas extensas.
Transporte pode perder 14,2% de valor adicionado e indústria extrativa 12,6%. Administração pública teria impacto limitado perto de 1,7%.
- Redução para 36 horas pode derrubar 6,2% do PIB
- Custo da hora trabalhada pode subir até 22%
- Impacto varia conforme uso de mão de obra
- Transporte e comércio aparecem mais vulneráveis
- Debate envolve governo, Congresso e sindicatos


