A Prefeitura de Palhoça realizou uma formação sobre bullying e violência online para diretores e orientadores educacionais dos anos finais da rede municipal, conduzida por agentes da Polícia Civil, com o objetivo de fortalecer a prevenção e o acolhimento nas escolas.

Bullying e Violência Online na Pauta da Educação de Palhoça
A palestra foi conduzida pelos agentes de Polícia Civil Rodrigo Alessandro Ferreira e Adelmir Martins, reunindo gestores escolares dos anos finais da rede municipal. A abertura e a coordenação ficaram a cargo da coordenadora pedagógica Andréia de Bem Machado, em parceria com o NEPRE, o NERER e a Coordenação do Ensino Fundamental. A iniciativa contou ainda com a participação de representantes da rede de proteção, como Ana Paula Machado, da Guarda Municipal, e Regi Souza Pinto, do CMDCA.
O Que Está em Jogo: Um Problema com Dados Alarmantes
Pesquisa do DataSenado realizada em 2023 revelou que 33% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido bullying na escola; entre jovens de 16 a 29 anos, o índice sobe para 52%. Esses números deixam claro que o problema não é pontual nem passageiro. Levantamento do DataSenado aponta que cerca de 6,7 milhões de estudantes sofreram algum tipo de violência na escola no último ano, número que representa 11% dos quase 60 milhões de estudantes matriculados no país.
Quando a Violência Migra Para a Tela
O cyberbullying não é uma versão mais leve do bullying — é uma forma de violência que ultrapassa os muros da escola e invade a casa, o quarto, o sono da vítima. A psiquiatra e pesquisadora Sara Bottino, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o bullying tem característica de repetição, de intenção na violência e de desproporção de força — não é apenas um xingamento em um momento de raiva, mas algo que se instala nos pátios escolares e se mantém ao longo do tempo. No ambiente digital, esse ciclo ganha escala e velocidade inéditas.
Traumas Que Não Somem com o Tempo
Nem sempre as situações se resolvem com o tempo, e as consequências dos insultos podem acompanhar a vítima por toda a vida. Entre as consequências mais comuns estão problemas emocionais e psicológicos como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social e pensamentos suicidas, além de sintomas físicos como dores de cabeça, distúrbios alimentares, problemas de sono e fadiga. Reconhecer esses sinais cedo é o que separa uma intervenção eficaz de um caso que se agrava em silêncio.
A Lei Existe — e Precisa Ser Conhecida
A lei 14.811, de 12 de janeiro de 2024, institui medidas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência em estabelecimentos educacionais. A pena para quem comete bullying é de multa e, no caso de cyberbullying, reclusão de 2 a 4 anos, podendo ser aplicadas outras punições em casos de crime mais grave. Formações como a realizada em Palhoça cumprem exatamente essa função: aproximar a legislação da realidade cotidiana das escolas, dando a gestores e orientadores as ferramentas para agir antes que a situação escale. Há uma rede de apoio entre os profissionais que trabalham na escola para lidar com esses casos, e as vítimas precisam saber que não precisam passar por tudo isso sozinhas

