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20/06/2026

Analfabetismo no Brasil cai, mas Nordeste lidera índice

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (19) mostra que o Brasil tem 8,4 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, sendo que mais da metade desse contingente está concentrada no Nordeste. A região soma 4,8 milhões de analfabetos e registra taxa de 10,6%, número que supera em mais do dobro a média nacional, que recuou para 4,9% em 2025. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e revelam um cenário de avanços pontuais ao lado de desigualdades regionais persistentes.

Pnad do IBGE revela que analfabetismo cai no Brasil, mas Nordeste concentra mais da metade dos casos e lidera índice nacional.
Pnad do IBGE revela que analfabetismo cai no Brasil, mas Nordeste concentra mais da metade dos casos e lidera índice nacional.

Queda no analfabetismo nacional não chega às metas

Pela primeira vez desde 2016, a taxa de analfabetismo no país ficou abaixo de 5%. O recuo representa 592 mil pessoas a menos nessa condição, na comparação entre 2024 e 2025. Mesmo assim, o Brasil não cumpriu a meta do Plano Nacional de Educação, que previa zerar esse indicador até 2024.

A educação infantil ainda enfrenta gargalos estruturais em algumas regiões. No Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos fora da escola não frequentam creches por falta de vagas ou de unidades próximas. No Nordeste, esse percentual chega a 37,2%. Já o ensino fundamental, voltado a crianças de 6 a 14 anos, atingiu a marca prevista pelo PNE, com 96,1% de cobertura, número que ainda não recuperou o patamar registrado antes da pandemia.

Analfabetismo por Região

Idosos concentram os casos de analfabetismo no país

O recorte etário escancara onde o problema se concentra. Pessoas com 60 anos ou mais respondem por 58% de todos os analfabetos brasileiros, um grupo de 4,9 milhões de pessoas, com taxa de 13,8% nessa faixa. Entre quem tem de 15 a 59 anos, o índice despenca para 2,6%, sinal de que as gerações mais jovens tiveram acesso mais amplo à escola.

William Kratochwill, analista da pesquisa, observa que essa diferença entre faixas etárias reforça a necessidade de políticas que mantenham crianças e adolescentes matriculados, ao lado de programas voltados à alfabetização de adultos e idosos. Em 2025, pela primeira vez, mulheres idosas (13,7%) apresentaram taxa menor que a dos homens da mesma idade (14,1%). Esse padrão se repete na população geral acima de 15 anos, com mulheres em 4,6% contra 5,2% entre os homens.

Desigualdade racial atravessa os dados de analfabetismo

A cor da pele segue marcando diferenças expressivas nos resultados. Entre pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais, o analfabetismo atinge 20,6%, quase três vezes o percentual observado entre brancos da mesma faixa, de 7,3%. Houve progresso em outra frente: pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio, ante 64,9% entre brancos.

A escolaridade média do brasileiro com 25 anos ou mais subiu para 10,2 anos de estudo em 2025. No ensino superior, a distância racial permanece nítida: 6,2% dos brancos de 18 a 24 anos já têm graduação completa, mais do dobro dos 3,0% registrados entre pretos ou pardos. Entre jovens de 14 a 29 anos, 7,7 milhões ainda não terminaram o ensino médio, e a necessidade de trabalhar aparece como o motivo mais citado para o abandono escolar, mencionado por 43% dos entrevistados. Desinteresse pelos estudos vem em seguida, com 25,6%, enquanto gravidez (24,7%) e afazeres domésticos (8,6%) pesam de forma específica sobre as mulheres.

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