Florianópolis recebe neste sábado, 22 de agosto, às 10h, um espaço inédito dedicado à ciência das árvores: a primeira xiloteca pública no Jardim Botânico do Itacorubi. A mostra é organizada pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e reúne mais de 200 peças de madeira, representando mais de 100 espécies nativas e exóticas. A visitação é gratuita e funciona de terça a domingo, das 7h às 19h.

O que torna a xiloteca pública no Jardim Botânico do Itacorubi tão especial
O termo xiloteca nasce do grego, unindo xýlon (madeira) e théke (coleção). Cada peça catalogada funciona como um livro dentro de uma biblioteca botânica, guardando informações sobre origem, espécie e condições de crescimento de cada árvore. Pesquisadores, professores e estudantes ganham ali uma ferramenta rara para identificação de espécies e educação ambiental.
O acervo foi cedido ao Jardim Botânico de Florianópolis e passa a integrar seu papel de conservação e divulgação científica. O presidente da Associação do Jardim Botânico de Florianópolis, Dr. Zenório Piana, destaca que a transferência garante a preservação do material. Para ele, o gesto amplia o alcance da pesquisa sobre a diversidade florestal catarinense.
🌳 Serviço
Inauguração da primeira xiloteca pública de Florianópolis
| Item | Detalhes |
|---|---|
| O quê | Inauguração da primeira xiloteca pública de Florianópolis |
| Quando | Sábado, 22 de agosto | 10h |
| Onde | Jardim Botânico de Florianópolis, Rodovia Admar Gonzaga, 742 a 782 – Itacorubi |
| Quanto | Gratuito |
| Visitação | Terça a domingo, 7h às 19h |
Ciência ao alcance de quem visita o parque
O secretário adjunto de Meio Ambiente, William Nunes, resume o significado do projeto de um jeito direto: uma xiloteca guarda muito mais do que madeira. Ela preserva memórias sobre florestas, sobre climas de outras décadas e sobre os vínculos entre pessoas e árvores. Levar esse conhecimento a um espaço gratuito muda a forma como o público se relaciona com a ciência.
A ideia central do percurso expositivo é simples e ao mesmo tempo reveladora. Toda árvore registra em seu tronco as marcas do ambiente onde cresceu. Ventos, secas, inclinação do terreno e até galhos perdidos em tempestades deixam sinais permanentes na estrutura da madeira.

Anéis de crescimento e densidade revelam histórias ocultas
Um dos núcleos da exposição foca nos anéis de crescimento, formados a cada ciclo anual da árvore. Anéis largos contam anos de fartura, enquanto anéis estreitos indicam períodos de estiagem ou frio intenso. Um simples disco de madeira se transforma, sob esse olhar, em um verdadeiro arquivo climático natural.
Outra instalação brinca com a percepção do visitante ao suspender amostras de madeiras exóticas em alturas diferentes conforme o peso de cada uma. Peças mais leves ficam no alto e as mais densas se aproximam do chão. A disposição torna visível uma característica que normalmente passa despercebida: a densidade da madeira, vinda de árvores de continentes como América do Norte, África, Ásia e Oceania.
Madeira petrificada e a força da cultura popular
A mostra reserva espaço para fragmentos de madeira petrificada, resultado de um processo em que minerais substituem a matéria orgânica ao longo de milhões de anos sem apagar a estrutura original. Há um núcleo dedicado à nomenclatura científica, explicando por que uma mesma espécie recebe nomes populares distintos conforme a região do país. Um painel final aborda a presença da madeira nas artes, das esculturas e máscaras aos instrumentos musicais, à xilogravura e à arte sacra.
O Pinheirão e a peça símbolo da coleção
Até o fim do ano, o acervo deve ganhar sua peça mais imponente: um disco retirado do tronco da quarta maior araucária do Brasil, conhecida como Pinheirão. A árvore, que tinha 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito, ficava na Estação Experimental da Embrapa em Caçador e tombou em maio deste ano.
O gerente do Jardim Botânico de Florianópolis, Roberto Amaro, conta que a peça ainda passa por um processo de secagem cuidadoso, necessário para evitar rachaduras. Assim que estabilizada, a “bolacha” da árvore acompanhada por décadas de pesquisa chega ao Itacorubi. Amaro já a descreve como a futura estrela da exposição.

