A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) alerta que a recomendação americana de taxar as exportações brasileiras em 25% pelos EUA pode prejudicar significativamente a economia catarinense, especialmente o setor manufatureiro, que responde pela maior parte dos produtos enviados ao mercado norte-americano.

Exportações Brasileiras Taxadas em 25% pelos EUA: O Que Está em Jogo
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre importações originárias do Brasil, com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. As exportações catarinenses para os EUA somaram R$ 330,8 milhões no acumulado até abril deste ano — e boa parte desse volume pode ser diretamente atingida pelas novas tarifas.
Por Que Santa Catarina Está no Centro das Preocupações
O perfil exportador do estado o coloca em posição de maior vulnerabilidade do que outros estados brasileiros. Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a pauta catarinense é mais concentrada em produtos manufaturados, justamente os mais afetados pela medida proposta. Setores como aço, alumínio e algumas commodities já estão sujeitos a outras normativas e, por isso, ficam de fora dessa nova camada de taxação.
Quais Produtos Podem Escapar da Taxação
Uma análise preliminar da FIESC indica que apenas entre 3,2% e 5,8% das exportações catarinenses para os EUA estariam diretamente isentas das novas tarifas recomendadas. Ao considerar os produtos já sujeitos às tarifas globais da Seção 232, o percentual de itens fora desta nova cobrança sobe para uma faixa entre 25,2% e 41,2% — uma variação que depende da compatibilidade entre as classificações aduaneiras dos dois países. A entidade orienta que os exportadores verifiquem individualmente se seus produtos constam entre as cerca de 1,7 mil exceções listadas.
Como a Indústria Catarinense Pretende Reagir
A recomendação do USTR ainda não tem caráter definitivo. Uma consulta pública foi aberta antes da adoção final das tarifas, o que abre espaço para negociação. A FIESC anunciou que atuará em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para coordenar ações de defesa dos segmentos afetados, dialogando com autoridades dos dois países em busca de soluções que preservem a parceria econômica bilateral.

