O esporte passou a ocupar espaço central em políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes de Santa Catarina a partir do Programa de Incentivo ao Esporte, lançado no fim de 2024 pelo governo estadual. A iniciativa, coordenada pela Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), direciona recursos para associações, clubes e municípios que promovem atividades esportivas. Com orçamento de R$136 milhões, o programa busca ampliar acesso, incentivar hábitos saudáveis e criar oportunidades para jovens entre escolas e comunidades.

Esporte como porta de entrada para novos talentos
O Programa de Incentivo ao Esporte criou um ambiente onde projetos locais conseguem tirar ideias do papel. Entidades esportivas recebem apoio financeiro para equipamentos, professores e estrutura básica de treinamento.
Essa estratégia abriu espaço para modalidades que nem sempre aparecem nas aulas tradicionais de educação física. Iniciativas apoiadas passam a oferecer experiências práticas que aproximam crianças de atividades pouco acessíveis.
O governador Jorginho Mello afirmou que o programa pretende estimular estilos de vida ativos. A proposta inclui afastar jovens do excesso de tempo em telas digitais enquanto fortalece valores ligados à disciplina e convivência social.
Ciclismo chega às escolas de Itapema
Em Itapema, o projeto Ciclismo nas Escolas mostra como o incentivo público pode transformar a rotina escolar. Bicicletas, rolos de treinamento e tablets simulam percursos que reproduzem situações reais de prova.
Cada unidade participante atende dezenas de alunos diariamente durante as aulas de educação física. Estudantes entre 11 e 17 anos podem escolher pedalar no lugar de modalidades tradicionais como futebol ou vôlei.
Segundo o coordenador Márcio João Serpa, o contato inicial com a bicicleta abre caminho para novos atletas. A expectativa inclui formar equipes capazes de representar escolas e a cidade em competições.

Surf amplia inclusão no litoral catarinense
Outro exemplo aparece em Balneário Rincão com o projeto Ondas da Inclusão, desenvolvido pela Associação de Surf local. Crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos participam de aulas adaptadas dentro e fora do mar.
O projeto recebeu pranchas, roupas de neoprene e materiais pedagógicos adquiridos com recursos do programa estadual. Parte das turmas inclui jovens com síndrome do espectro autista ou síndrome do cromossomo 21.
Instrutores relatam que o contato com o mar estimula equilíbrio emocional, coordenação e autonomia. Famílias acompanham cada evolução dos alunos com entusiasmo nas praias da região.
Formação esportiva vai além da prática
As atividades propostas pelos projetos não se limitam ao treino físico. Aulas teóricas explicam regras, técnicas e noções de segurança antes das práticas.
Em dias de chuva ou inverno, equipes adaptam o conteúdo para espaços fechados. Treinadores trabalham fundamentos do surf, ciclismo e outras modalidades em ambientes preparados.
Esse modelo cria uma base educativa que conecta esporte, aprendizado e convivência. Jovens desenvolvem habilidades que dialogam com saúde, cidadania e participação comunitária.


